Escolas adaptam as avaliações por causa da pandemia

Várias escolas estão a fazer alterações aos modelos de avaliação dos alunos devido aos impactos da pandemia. De modo a não prejudicar quem teve ausências prolongadas, devido a contágio ou isolamento profiláctico, os professores decidiram aplicar critérios diferentes dentro de uma mesma turma. Um dos aspectos que será valorizado é a capacidade mostrada pelos estudantes para produzir trabalho autónomo enquanto estiveram afastados das salas de aulas.

“Foi preciso definir critérios de avaliação e de acompanhamento diferenciados”, explica o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), Manuel Pereira. Face ao avolumar de casos de alunos que tiveram que estar temporariamente afastados das aulas, os conselhos de turma definiram critérios de avaliação diferentes para alunos da mesma turma, tentando adaptar os aspectos considerados para classificar os alunos à situação vivida por cada um.

“Muitas turmas vão e vêm”, ilustra o director da Escola Secundária de Camões, em Lisboa, João Jaime Pires. No histórico liceu lisboeta estiveram, desde o início do ano lectivo, “60 a 70 alunos” ausentes da escola, devido a infecção por covid-19 ou isolamento profiláctico decidido pelas autoridades de saúde.


Apoio dos professores


Um aluno que está fora da escola durante 14 dias “sofre uma perda”, entende o mesmo director, para quem é necessário “haver apoio dos professores para recuperar as aprendizagens”. Mas há casos de alunos que estiveram em isolamento duas vezes ao longo do 1.º período, o que implica um afastamento das aulas que pode chegar a 28 dias.

A solução encontrada para as avaliações “faz todo o sentido”, entende o presidente da Confederação Nacional de Associações de Pais (Confap), Jorge Ascenção, que vê nesta uma oportunidade para discutir a forma como são decididas as notas dos alunos em muitas escolas. “Há outras formas de classificar que não seja apenas uma média simples dos testes”, defende.

É isso que muitas escolas estão a fazer, considerando não só relatórios individuais ou trabalhos de grupo, que já eram levados em linha de conta na classificação dos alunos no final de cada período, mas também a capacidade que estes demonstram de produzir trabalho autónomo, no contexto do isolamento a que foram sujeitos por causa da doença, por exemplo.

As cinco semanas iniciais do ano lectivo, que o Ministério da Educação consagrou à recuperação das aprendizagens afectadas pela suspensão das aulas no ano lectivo passado “foram positivas”, diz Carlos Alberto Louro, do agrupamento de escolas de Ponte da Barca, mas “sozinhas não chegam”. O trabalho tem que ser continuado ao longo do ano lectivo. Até porque as ausências dos alunos e professores devido à pandemia tornaram o 1.º período “atribulado”, diz Manuel Pereira, da ANDE: Há professores em isolamento a dar aulas a partir de casa, professores nas escolas a dar aulas a turmas em isolamento em casa ou turmas “partidas” entre alunos em casa e na sala de aula. Face a todos os constrangimentos, os directores são favoráveis a uma solução para os exames nacionais semelhante à do ano passado, com perguntas opcionais.

As soluções encontradas pelas escolas também são muito diferentes. ​Há casos, como o agrupamento de escolas Rafael Bordalo Pinheiro, nas Caldas da Rainha, onde os professores podem dar as aulas por videoconferência aos alunos, caso a turma esteja em isolamento ou mesmo quando é o docente quem está em quarentena. “Na Matemática, os professores podem levar uma mesa digitalizado para casa, que está ligada ao quadro interactivo da escola. Os alunos podem ver os exercícios quase como se o professor estivesse à frente deles”, conta a directora, Maria do Céus Santos. Neste agrupamento, estiveram em isolamento 11 das quase 100 turmas, desde o início do ano.

Mas nem todas as escolas têm esta capacidade. No agrupamento de Ponte da Barca, não há condições para haver aulas por videoconferência. Quando há turmas ou alunos em isolamento, a solução passa por usar plataformas digitais de trabalho colaborativo para manter o contacto com os alunos e suscitar trabalho autónomo. “Isto não se pode fazer com os computadores que temos nas escolas”, queixa-se o director Carlos Alberto Lobo.

Os directores têm exigido que o programa Escola Digital também integre o parque informático das escolas, que não é renovado desde o primeiro governo de José Sócrates. O processo de entrega dos computadores prometidos aos alunos carenciados no ensino secundário está a ser terminado esta semana e a generalidade dos estudantes receberá os equipamentos antes das férias de Natal. Para o ensino básico, o material chega apenas em 2021.

Todas as condições exigidas


Em termos sanitários, a mensagem dos directores é a de que as escolas têm garantido as condições exigidas. “Têm sido um lugar seguro”, reconhece Jorge Ascenção, da Confap. “Estamos permanentemente em cima dos alunos para garantir que as regras são cumpridas”, conta Manuel Pereira, da ANDE.

Não há registo de infecções por covid-19 com origem no interior das comunidades escolares em nenhum dos agrupamentos contactados pelo PÚBLICO. Todos os casos positivos registados nestas escolas têm origem externa, sobretudo por via familiar. Os directores não têm, porém, “noção dos números a nível nacional”, afirma Filinto Lima, da Associação Nacional de Directores de Escolas Públicas (Andaep). O Ministério da Educação nunca divulgou os dados de contágios registados entre alunos, professores e funcionários desde o início do ano lectivo. As informações oficiais sobre o impacto da pandemia nas escolas têm sido divulgadas pelas autoridades de saúde. O último balanço foi feito há 18 dias.

“Muitos diziam, em Setembro que, ao fim de duas ou três semanas, as escolas iam fechar”, recorda Filinto Lima. As escolas conseguiram, por isso, “superar as expectativas”. O 1.º período “correu muito melhor do que se imaginava”, reconhece Salvador Ferreira, director do agrupamento João Araújo Correia, na Régua.

João Jaime Pires, da Secundária de Camões, era céptico e compreendia quem, no início do ano lectivo, preferia que se tivesse avançado para um regime misto, que permitisse ter menos alunos na sala de aula. Três meses depois, reconhece que “foi uma boa ideia” que o ensino seja presencial: “O regresso à escola foi um ar fresco para todos.”

Fonte: Público
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