Ano letivo voltará a ser marcado pela escassez de professores

 Ano letivo voltará a ser marcado pela escassez de professores (dn.pt)

O ministro da Educação, João Costa, afirmou, a 12 de agosto, que 97,7 % dos horários pedidos pelas escolas já tinham professores. O número corresponde à verdade, mas, segundo Mário Nogueira, secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), trata-se de um valor igual ao de anos anteriores e não significa, de todo, que o problema da falta de professores esteja resolvido no início do ano letivo que esta semana se inicia.

"Trata-se de um embuste", afirma o sindicalista. Sindicatos e diretores de escolas estão certos de que o problema se vai manter este ano letivo, isto porque, em agosto, apenas foram colocados professores para horários completos (anuais) e os problemas de anos anteriores no que se refere à escassez de docentes, não foi resolvida. Preveem, por isso, iguais ou acrescidas dificuldades na colocação de docentes nas escolas neste novo ano letivo, que poderá ainda ficar marcado por um número recorde de aposentações (cerca de 2200). "Na primeira reserva de recrutamento (2 de setembro) foram colocados professores dos quadros e contratados, que as escolas, em algumas situações, voltaram a pedir. Em pleno agosto, o sistema já não conseguiu responder a alguns pedidos dos diretores, e o Ministério da Educação informou as escolas para avançarem desde já com a contratação do nível de escola, o que não era habitual. Prevejo ainda que muitos professores possam apresentar baixas médicas porque muitos não conseguiram Mobilidade por Doença e foram colocados a uma distância que não lhes permite, em muitos casos, trabalhar", explica Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Escolas Públicas, ANDEP.

Arlindo, diretor do Agrupamento de Escolas Cego do Maio, Póvoa de Varzim, e autor do blogue ArLindo (um dos mais lidos no setor da Educação) não traça diferente cenário para o novo ano letivo. "Com o envelhecimento do pessoal docente e o aumento das aposentações que se fazem já sentir, a tendência para haver falta de professores vai continuar a aumentar enquanto não forem tomadas medidas de fundo para a atração de novos alunos para seguirem a profissão de professor", afirma.

Para Luís Sottomaior Braga, professor de História e especializado em gestão e administração, no que se refere à afirmação do ministro em agosto, "o relevante não são os pedidos, mas os que farão falta que, a essa data, ainda não estão todos determinados". Segundo o especialista, "o problema da falta massificada de docentes é nas substituições: horários que não duram às vezes mais de um mês, parciais, de pagamento muito baixo e em que os descontos nem dão para ter a seguir subsídio de desemprego". Recorde-se que, os horários de 15 ou menos horas letivas garante apenas 21 dias mensais declarados à Segurança Social, mesmo que o vencimento seja superior ao ordenado mínimo nacional. Luís Sottomaior Braga acredita que, este ano, o problema da carência de professores vai agudizar-se "pelo efeito conjugado de aposentações (que vão aumentar, entre outras coisas, pela redução da idade de reforma por aumento da esperança de vida), doença, envelhecimento e péssima gestão da carreira docente pelos sucessivos governos".
Afinal, porque faltam tantos professores nas escolas?









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