Carta Aberta pela Escola Pública

 Carta Aberta pela Escola Pública (sapo.pt)

Como trabalhadores, de vários quadrantes e formações distintas, consideramos que a escola pública deve ser de excelente qualidade e para todos. 

A degradação a que temos assistido – pese embora, nós trabalhadores, seja de que área for, pagarmos cada vez mais impostos –, tem levado muitos daqueles que ainda podem a estratégias como o recurso a explicações privadas, auxiliarem os filhos no fim de um dia de trabalho intenso, colégios privados e ATLs e centros de estudo. 

Crianças e jovens a quem deveria estar garantido um ensino excelente numa parte do dia, para poderem também brincar e socializar, são obrigadas a prolongar o dia de estudo. As cada vez mais deficientes condições de trabalho impostas aos professores contribuem não só para que os alunos fiquem 8 horas na escola, mas também para deficiências na aquisição de conhecimentos essenciais e para a degradação óbvia e geral de um serviço – a educação pública, gratuita e de qualidade – constitucionalmente garantido, que pagamos, mas a que perdemos acesso. 

Muitos dos nossos filhos abandonam (mesmo que passem administrativamente) as aprendizagens científicas, filosóficas e artísticas, desistem de ser mais, de sonhar, de conquistar saberes que deveriam ser de acesso democrático a todos, trocando-os por cursos sem valor, de formação medíocre, ou por um ensino, dito profissional, que leva os nossos filhos para profissões mal qualificadas e mal pagas e os aparta do acesso ao saber humanizado. 

Temos consciência de que não existe boa escola pública sem segurança e qualidade de trabalho dos professores e, por isso, dia 14 marchamos ao seu lado, ao lado dos professores e funcionários das escolas, pela segurança na contratação, escolha livre da escola e lugar onde pretendem trabalhar, acesso a uma carreira que lhes forneça sentido de percurso, justiça sem avaliações "falsas" que apenas pretendem cortar a progressão e que hoje são comuns a todos os trabalhadores, em sistemas de trabalho antidemocráticos, de gestão tóxica e autoritária, que a todos nós desmotiva e mesmo desgasta e adoece, como é frequente no caso dos professores. 

É urgente que os nossos impostos sirvam para pagar salários dignos que lhes permitam uma vida com qualidade. Não toleramos assistir ao pagamento obsceno de gestores da res publica ao mesmo tempo que se paga vergonhosamente mal aos professores, uma profissão essencial. 

Temos, finalmente, consciência, que os problemas da escola não se resolvem só na escola. Sem trabalho digno e seguro para os nossos filhos e netos, impedindo-os de ter acesso a uma vida independente, casa própria, vida conjugal e afectiva livre, qualidade na alimentação e no lazer, o resultado é a crescente dependência familiar ou a emigração e eles deixarem de ver sentido na escola. 

Por isso lutamos ao lado dos professores, e marcharemos com eles no dia 14 de Janeiro em Lisboa (Marquês de Pombal), às 14h, por um país que invista na riqueza social, na democracia, na qualidade de vida, com salários decentes.


Anabela Mendes, professora aposentada da ESBAL 

António Baptista Lopes, Editor 

António Carlos Cortez, professor, poeta, ensaísta

António Galopim de Carvalho, Geólogo

António Garcia Pereira, advogado e professor associado aposentado 

António Pinho Vargas, compositor e professor aposentado da ESML

Cláudia Biscaya Fraga, Professora aposentada

Eduardo Rêgo, Professor aposentado matemática, FCUP

Elisa Costa Pinto, Professora

Elísio Summavielle, gestor cultural 

Fabiane Santana Previtali, professora titular da Universidade Federal de Uberlândia - UFU/Brasil 

Filomena Oliveira, dramaturga, escritora 

João Areosa, professor Instituo Politécnico de Setúbal

João Reis, operário da AutoEuropa

Joel Neto, escritor

José António Antunes, Médico

José Fanha, poeta Manuela Gonzaga, escritora, jornalista 

João Pascoal, Mudar Bancários

Maria Cantinho, professora, filósofa 

Miguel Real, ensaísta, escritor 

Pamela Peres Cabreira, professora, historiadora 

Raquel Varela, historiadora, professora FCSH/UNL 

Roberto della Santa, professor auxiliar convidado Uni Aveiro, investigador

Rita Garcia Pereira, advogada e docente universitária 

Victor Pinto , Linguista , Porto 

Pedro Vicente, arquitecto 

José Santana Henriques, activista sindical CGTP 

Adriano Zilhão, economista 

Mário Tomé, coronel e capitão da revolução de Abril 

José Casimiro, activista sindical e laboral, Solidários 

Isabel Roque - Investigadora CES-UC e activista social 

Isabel Louçã, professora aposentada 

Fernando Bessa, professor 

Carlos Marques, activista social, Solidários 

Nuno Geraldes, dirigente sindical do STCC 

Sindicato dos Trabalhadores do Sector Automóvel (STASA)

Sindicato dos Trabalhadores dos Call Centers (STCC)

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